sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempestade

As ondas ferozes, o mar turbulento, a chuva socando meu rosto. Ele estava lá, eu o vi. Estava se debatendo.
Nadei, com fracas tentativas, contra aquele poderoso mar gelado. Mas quase não saí do lugar, eu estava congelando, seria mais fácil e rápido virar uma pedra de gelo do que alcançá-lo. Eu iria perdê-lo.

Ele me viu, e gritou, esperneou, suplicou:

- VOLTE PARA O BARCO! VOLTE! AGORA! VÁ!

Não obedeci.

Com mais investidas, aos poucos, ia conseguindo chegar até ele.

Seus lábios estavam tão roxos e seus olhos piscando tão rapidamente que nem pude ver direito o castanho por trás deles. Sua pele estava rígida e tremendo. Eu o abracei, tão forte que senti que podia salvá-lo.

-Eeeeeuu..uu..tteee....aaa...mmooo...

Ele sussurrou e logo partiu.

2 comentários:

[ESCRITA LIVRE] O que devemos pensar aqui?

Por que não é possível usar interruptores para ativar nosso humor diário? É tão cansativo trocar de caretas Feliz Triste Raivoso ...